O primeiro arcebispo de São Luís


“Tudo pela formosura da paz”, é o lema de arcebispado de Dom Otaviano, que foi marcado pela transição de Diocese para Arquidiocese, realizando de forma inédita o 1º Sínodo Arquidiocesano

Dom Otaviano Pereira de Albuquerque foi o arcebispo que recebeu a prerrogativa de ser o precursor da Arquidiocese de São Luís, em uma gestão que durou de 1922 a 1935. Ele nasceu em Canguçu (RS), em 3 de julho de 1866. Seus pais eram Francisco Pereira de Albuquerque e Manoela Felicidade Garcia Pereira. De família tradicional e cristã, em janeiro de 1879, aos 13 anos, Dom Otaviano ingressou no Seminário Menor de Porto Alegre (RS).

Em seu arcebispado, grande foi a sua contribuição para com a Igreja, como a realização do primeiro Sínodo Arquidiocesano, reunindo todo o seu clero, a fim de melhor conhecer e orientar. Todavia, demonstrou grande interesse pela formação cultural e espiritual dos futuros sacerdotes, criando assim a “Obra de São José”, que tinha por finalidade angariar fundos para a manutenção do seminário, que ordenou 26 sacerdotes, sendo 23 maranhenses, destacando-se no serviço de animação vocacional. O arcebispo também teve a missão de organizar no Maranhão a Liga Eleitoral Católica (LEC), constituída por figuras influentes da sociedade maranhense que deveriam concorrer às eleições de maio de 1933 e outubro de 1934, cujos eleitos se encarregariam de elaborar, respectivamente, as novas Constituições do Brasil e do Maranhão, reflexo da sua boa relação com o governo de Getúlio Vargas.

Segundo entrevista com padre João Dias Rezende Filho, grande colaborador desta matéria, sacerdote da Arquidiocese de São Luís, escritor e pesquisador, destacou que Dom Otaviano trouxe novamente a Ordem dos Jesuítas para São Luís (em 1927), que assumiu a Igreja dos Remédios, a reforma da Igreja da Sé e a construção de novas paróquias, trazendo uma mudança notável para a Igreja ludovicense.

Entretanto, diante de grandes feitos, nos cinco últimos anos do seu arcebispado em terras ludovicenses, Dom Otaviano retirou-se para o mosteiro de São Bento (Rio de Janeiro), deixando a Arquidiocese nas mãos do Mosenhor Felipe Pacheco, fazendo um tipo de auto-exílio. Segundo o padre João e pesquisas, isso aconteceu pela pressão que o arcebispo recebeu ao permitir a nomeação do padre Astolfo Serra como interventor no governo de Vargas, deixando grande parte do clero contra a postura de Dom Otaviano.

Posteriormente, o arcebispo continuou no pastoreio da Igreja e foi nomeado bispo Diocesano de Campos (RJ), onde permaneceu até o final de sua vida, falecendo aos 83 anos. O primeiro arcebispo que teve uma grande contribuição para a construção do que hoje é a Arquidiocese de São Luís, preparou um bom caminho para os seus sucessores que também deixaram suas marcas na história da Igreja.


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