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Padre Marcelo Pèpin, um missionário canadense de vigor


Em razão da comemoração do aniversário de noventa anos do padre Marcelo Pèpin, em 11 de outubro, o Jornal do Maranhão o homenageou com matéria especial nesta edição de novembro reverberada em nosso site.

“Padre Marcelo, você é, e sempre foi, um educador”. Assim declarara, certa vez, Mons. Gerard Cambron, profundo conhecedor dos problemas da Igreja no Brasil e assessor das Comunidades Eclesiais de Base na década de 70.

No dia 11 de outubro passado, durante as comemorações do 90º aniversário do Padre Marcelo, ouvi, de alguns convidados, que padre Marcelo Pépin foi, e continua sendo um ótimo padre-educador”.

De fato, nasce e faz seus primeiros estudos no Canadá, e. logo depois de ordenado sacerdote em 1956, dedica seus primeiros três anos de atividade sacerdotal ao Seminário da Diocese de Nicolet.

O jovem padre Marcelo sonha ir à África ou ao Equador como missionário, quando o bispo de Nicolet, que já tinha criado a Missão Diocesana para a América Latina, durante o encerramento do ano letivo (junho de 1959), lhe pede para comunicar aos seus pais, que em setembro viajaria em missão para o Brasil. O jovem padre se uniria aos outros quatro padres diocesanos “fidei donum”, já presentes na Prelazia de Pinheiro, prestando seus serviços pastorais na cidade de Guimaraes. Chega sem alarde nesta pequena cidade do interior maranhense. Estuda e pratica a língua portuguesa, ajudando nas atividades paroquiais e nos grupos de catequese. Com simplicidade e espontaneidade conversa com as pessoas e observa a realidade do povo, particularmente durante as desobrigas. Antes de começar o ano letivo de 1963, o bispo prelado de Pinheiro, dom Alfonso Maria Ungarelli, lhe propõe dirigir o Seminário São José, em Guimaraes, recém-criado para a formação de adolescentes da região de Pinheiro e Cândido Mendes.

No início de 1967, o arcebispo, dom José da Mota e Albuquerque, após entendimentos com dom Ungarelli, convida padre Marcelo para transferir-se com todos os jovens do Seminário São José para São Luís, nomeando-o Reitor do Seminário Santo Antônio, que, nesta época, atendia a jovens de algumas cidades do interior do Estado.

Após onze anos de missão se dedicando à educação de adolescentes dos dois Seminários, atendendo ao apelo da CNBB, padre Marcelo decide dar uma parada de um ano, para verificar seu conhecimento das orientações propostas pelo Concílio Vaticano II principalmente no campo vocacional. Confidencia padre Marcelo: “Estava cansado, foi um merecido ano sabático realizado em Porto Alegre, em 1970”.

Retemperado e de volta a São Luís, colabora com Mons. Estrela na paróquia de São João, se dedica à Pastoral vocacional e assiste institutos e congregações religiosas, nunca deixando de atender os párocos da cidade e do interior. Em 1976 inicia um novo desafio: Coordena a Pastoral da Arquidiocese, onde, por seis anos, revela suas qualidades de pessoa de fácil entendimento e diálogo construtivo para as atividades pastorais da Igreja na Arquidiocese. Reestruturado e implantado, em 1983, o novo Seminário Maior, padre Marcelo é novamente chamado para dirigi-lo. Neste período ministra também aulas de disciplinas na área pastoral. Desde 1982, dá assistência ao Carmelo São José, como capelão, e presta ajuda a todos os padres e leigos que lhe pedem seus serviços em paróquias, movimentos e instituições, destacando-se especialmente com a Coordenação da Pastoral Familiar.

A Igreja de sua diocese canadense acompanha padre Marcelo, sua competência e dedicação e o convida a voltar ao Canadá a fim de coordenar a Missão diocesana no Brasil, bem como orientar a Pastoral Missionária na Diocese. Obedece e volta. Mas, agora, com olhos brilhando, nos diz: “Canadense que trabalha no Brasil também sente saudade”. Depois de contatos, conversas e entendimentos, consegue convencer seus superiores para voltar ao Maranhão. À pergunta se ele é satisfeito com sua vida, responde: “Recomeçaria e faria tudo de novo”....e prossegue: “Ás vezes, digo a mim mesmo, que nem sei como agradecer a Deus por tantos amigos que continuam me acompanhando com palavras, visitas, conversas e, até com mimos”. Com leve sorriso diz: “Creio que o ambiente familiar que implementei nos Seminários Menores e Maior fez bem para os jovens seminaristas, mas também me ajudou a viver mais plenamente minha vocação”. À última pergunta sobre os seminários de hoje, responde imediatamente: “Como eles estão, não tem sentido, os seminaristas não vem tendo uma formação adequada, principalmente visando os padres do futuro”.

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