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Sábado Santo e a Vigília Pascal - viva com atenção a celebração que encerra o Tríduo Pascal


(Imagem ilustrativa de Círio Pascal | Fonte: site Catequzar)


A liturgia do Sábado Santo encerra o Tríduo Pascal que iniciou na Quinta-feira Santa, com a Celebração da Ceia do Senhor. Ela conclui a celebração que dura três dias e é rica em significados. Para melhor aproveitar esta que é considerada a Vigília das vigílias, segue abaixo uma reflexão que pode ajudar a melhor viver este momento.


Não esqueça de levar sua vela para a Missa de hoje e de viver atenta e solenimente esta que é um momento de atualização das promessas de nosso batismo.


Reflexões sobre a liturgia do Sábado Santo, Vigília Pascal, Ano B

Por padre Leomar Antonio Montagna (PR)


O Sábado Santo é o dia do grande silêncio, do vazio e da solidão. A natureza humana está dividida pela morte, este é o sentido porque, na maioria das igrejas, se cobrem as imagens dos santos e de Nossa Senhora. A Igreja está de sentinela. Deitada sobre o túmulo de seu Senhor à espera daquele que passou da morte para a vida. O templo da Igreja fica vazio, qual noiva a se enfeitar belamente para a festa das “núpcias do Cordeiro”. À noite, celebramos a Vigília Pascal. A comunidade cristã celebra a nova luz que despontou no horizonte da vida humana. A luz é força fecundante e condição para que haja vida. A luz exalta o que é belo e bom, é oposição à treva. Jesus é a luz do mundo: “Quem me segue, não andará em trevas, mas terá a luz da vida” (Jo 8,12). Os cristãos devem ser a luz do mundo. 


A bênção do fogo novo é prenúncio da presença de Cristo-luz em nossa vida. O fogo é um dos quatro elementos que dá origem ao mundo, é princípio ativo, purifica e revigora, representa o amor, as paixões. Na história bíblica, nas teofanias, manifesta a presença e ação de Deus no mundo; nesta noite, representa a nova criação em Cristo-ressuscitado. 


círio pascal (a grande vela) que será entronizado na igreja, é sinal da presença do Senhor da história, presente sempre entre nós. Os cravos que nele colocamos representam as chagas que venceram a morte e as trevas. Os algarismos significam que o Cristo ressuscitado agora é Senhor da história. As letras: A e Z, que Ele é o princípio e o fim de tudo. A imersão do círio na água representa a união do elemento divino com o humano, a força fecundante de Cristo, gerador de vida nova para que todos os que se banharem nesta água fecunda se tornem filhos de Deus. 


Resta-nos cantar, exultantes, a sua vitória, com todos os crentes de ontem e de hoje. Nele, ressuscitado, proclamamos a eterna páscoa da humanidade e da Igreja. Porém, queremos saber e contemplar mais onde começou todo esse mistério de amor. Queremos escutar da própria Bíblia a história de amor, iniciada lá na criação. Segue, na Vigília, a Liturgia da Palavra que nos prepara para a renovação de nossos compromissos batismais e para a missa da Páscoa. 


Entre os dogmas (verdades) de fé expressos no creio, rezamos o seguinte: “Creio que Jesus nasceu da Virgem Maria, padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado, desceu a mansão dos mortos, ressuscitou ao terceiro dia”. Com a morte, Jesus desce à mansão dos mortos: sheol (hebraico), hades (grego), infernus (latim). A morte foi um aniquilamento extremo para salvar todos os justos. A consciência da Igreja primitiva concebia que a missão redentora de Jesus se estendia a toda a humanidade de todos os tempos e de todos os lugares: “A boa nova é anunciada aos mortos, a fim de que eles vivam pelo espírito a vida de Deus, depois de receberem, na carne mortal, a sentença comum a todos os homens” (1Pd 4,6). Jesus detém a chave da morte: “Ao nome de Jesus todo joelho se dobra no céu, na terra e nos infernos” (Fl 2,10 e Ap 1,8). Cristo passou pela porta daquilo que mais nos aterroriza: a morte. Passou e a destruiu: “Sol do alto que nos veio visitar para iluminar todos os que jazem nas trevas e nas sombras da morte” (Lc 1,68). Em Cristo, todo medo foi superado, a morte já não é a mesma coisa que antes, porque a vida está no meio dela, tanto para os que morreram antes Dele, como para os que viriam depois. Perante Cristo, ninguém tem privilégio cronológico. 


A ressurreição de Cristo é o princípio da nossa ressurreição, cumprimento da promessa do Antigo Testamento, é o Dia do Senhor, isto é, concretização do Reino de Deus (os mortos se levantarão). A ressurreição de Jesus é a convicção de nossa fé: Cristo vive! 

Por que procurais entre os mortos aquele que está vivo? Cristo agora vive em nossos corações, esperança de um novo céu e uma nova terra: “Esta é a tenda de Deus com os homens. Ele vai morar com eles. Eles serão o seu povo e ele, o Deus-com-eles, será o seu Deus. Ele vai enxugar toda lágrima dos olhos deles, pois nunca mais haverá morte, nem luto, nem grito, nem dor. Sim! Estas coisas desapareceram” (Ap 21,3-5). Se ele está vivo e a ressurreição é a fonte de nossa fé, então não consiste mais em sentir, ver e buscar o Jesus que viveu na terra, agora ele está invisível, então, devemos percebê-lo na realidade que nos rodeia e nos sinais dos tempos. Jesus também está presente na Igreja, comunidade e nos seus ensinamentos: “Quem vos recebe a mim recebe, quem vos rejeita a mim rejeita”. Enfim, podemos encontrá-lo nos Evangelhos, nas orações, na solidariedade com os que sofrem, nas lutas pela justiça, nas organizações e movimentos populares, em nossos irmãos e em todos aqueles que Deus coloca constantemente ao nosso lado. 


Boa reflexão e que possamos produzir muitos frutos para o Reino de Deus.  


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