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Natividade de São João Batista, o precursor de Jesus, e, aqui, aquele que dá nome a festa

Atualizado: Jun 15

Meu São João, eu vim pagar a promessa de trazer esse boizinho para alegrar sua festa!” .


Diácono transitório Bruno Mendes Pimenta

Paróquia São João Calábria | Jardim América

Na ordem: Igreja São João Batista, Centro Histórico, e Igreja São João Batista, Vinhais Velho

Foto: Marlon Ruiz | Pascom SJBVinhais


João, chamado o batizador, é filho de Zacarias e de Isabel. Sabemos pelas palavras do anjo Gabriel, que João (cujo nome significa “Deus é propício”) foi concedido ao casal em idade avançada. A criança que vai nascer percebe a presença de Jesus “estremecendo de alegria” no ventre materno por ocasião da visita de Maria à prima Isabel. Enviado por Deus para “endireitar os caminhos do Senhor”, foi santificado pela graça divina antes mesmo que seus olhos se abrissem à luz. “Eis — diz Isabel, repleta do Espírito Santo, a Maria — quando tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança pulou de alegria em meu ventre” (Lc 1,44).


Um pouco de história.


O evangelista Lucas apresenta um pouco da história de João Batista, sua concepção, nascimento e missão profética. Lucas inicia a sua narração contando o relato da visita do anjo Gabriel a Zacarias, um ancião sacerdote do templo que como de costume fora ao templo para cumprir as obrigações de seu ofício.


Certa vez fora sorteado para entrar no Santuário do Senhor e oferecer-lhe o incenso, enquanto rezava o anjo Gabriel apareceu-lhe com a notícia: “Isabel, tua mulher, te dará um filho, e tu o chamarás pelo nome de João. Ele será para ti motivo de alegria e regozijo, e com o seu nascimento muitos se alegrarão. Ele será grande diante do Senhor. Não beberá vinho nem bebida fermentada, e desde o ventre de sua mãe será repleto do Espírito Santo. Ele converterá muitos dos filhos de Israel ao Senhor, seu Deus.” Porém, cheio de espanto e medo diante do anjo, Zacarias respondeu que era velho e sua esposa também estava de idade avançada; como então tal proeza poderia acontecer? Por ter duvidado da mensagem do anjo ficou mudo até o dia do nascimento de seu filho João. Isabel, sua esposa e prima de Maria, mãe de Jesus, ficou maravilhada com a gravidez tão desejada pelo casal.


Maria de Nazaré ao saber da gravidez de sua prima vai à seu encontro constatar a veracidade da notícia chegada a ela pelo mesmo anjo que havia visitado Zacarias no tempo. Este encontro foi de tamanha alegria que até as crianças ainda nos ventres de suas mães ficaram agitadas. Os primos já podiam sentir a presença um do outro e de como as suas missões estavam entrelaçadas. João batista foi o responsável por preparar os caminhos que seu primo Jesus iria mais tarde aprimorar, caminho de arrependimento e salvação.


Foi assassinado no baile de aniversário do rei Herodes, uma armação de sua esposa Herodíade que não gostava de João por causa das denúncias de adultério feitas pelo profeta diante do povo, João dizia que não era permitido a Herodes o casamento com a mulher de seu irmão. Ao entrar dançando para agradar o tio, Salomé encontra graça diante do rei que lhe oferece por presente o que desejasse, ela, então, corre para junto da mãe que lhe diz: “peça agora num prato a cabeça de João Batista” (Mt 14,8). O rei ficou desapontado diante dos convidados e mesmo contrariado mandou que degolassem a cabeça de João e a trouxessem numa bandeja.


Um santo rústico com a missão de batizar


João Batista viveu no deserto, usava roupas de pelos de camelo, cinto de couro na cintura e alimentava-se com gafanhotos e mel silvestre, era um homem desprendido de vaidades e viveu exclusivamente para a missão a ele confiada. Anunciava o advento do Cordeiro de Deus e pregava sobre o batismo de arrependimento, por isso, muitos judeus o seguia, até o rei Herodes tinha prazer em ouvir suas pregações. O batismo pregado por João era o início de uma nova vida arrependida de seus pecados e comprometida em honrar com a aliança feita por Deus. Muitos vinham de Jerusalém e dos povoados vizinhos para receber o batismo ministrado por João no rio Jordão. Essa prática rendeu a ele a fama de batizador, o batista.


Um santo da piedade popular


Na temporada junina as brincadeiras buscam o famoso batizado, benção de proteção para os brincantes que durante as noites vadiam nos terreiros e arraiais das cidades maranhenses levando brilho e alegria para o povo. A ladainha de São João Batista e a apresentação da brincadeira na porta da igreja ou capela dedicada ao santo faz parte do ritual, é uma forma de pedir proteção e agradecer pelas bênçãos recebidas. Outro elemento importante durante essa temporada é a fogueira de São João, ao redor dela se entoam ladainhas, os amigos viram compadres e comadres de fogueira e não faltam bolos de goma, trigo e tapioca, além dos tradicionais mingaus de milho e de tapioca.


Reza dos compadres de fogueira: Santo Antônio disse, São João Confirmou pra fulano (nome da pessoa) ser meu compadre (ou padrinho) que Jesus Cristo mandou!


Na ordem: Igreja São João Batista, Centro Histórico, e Igreja São João Batista, Vinhais Velho

Foto: Ribamar Carvalho | Pascom SJBVinhais


O santo na Arquidiocese


São João Batista de Vinhais Velho

Na Arquidiocese de São Luís temos duas paróquias dedicadas ao santo, a tradicional igreja São João Batista no Centro Histórico de São Luís, lugar que no dia do santo reúne as brincadeiras de bumba meu boi para homenagear um dos patronos juninos. Outra igreja dedicada ao santo está no bairro Vinhais Velho, lá acontece a Festa das Águas, festejo paroquial que reúne as famílias dos bairros vizinhos em torno da antiga igrejinha construída a mais de 400 anos pelos jesuítas para a missão junto aos índios daquela aldeia.


O Santo é muito querido na capital maranhense, estando presente em toadas, ladainhas populares e várias iniciativas espontâneas nos lares da cidade, recebe, ainda, muitas homenagens em várias comunidades distribuídas nas diversas paróquias da Arquidiocese, como a igrejinha dedicada ao santo no Tendal, povoado rural do Paço do Lumiar; no Rio São João - estrada de Ribamar; em Ruy Vaz – Axixá, entre outras. Por fim e não menos importante temos a capela de São João Batista na estrada da Maioba, sede do bumba meu boi da Maioba, sotaque de matraca.

Meu São João. São João, meu São João Eu vim pagar a promessa De trazer esse boizinho Para alegrar sua festa Olhos de papel de seda Com uma estrela na testa.

(Papete)

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