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José Belisário da Silva: um filho de Minas, um cidadão do Maranhão

Atualizado: 12 de Dez de 2019


Quatro de agosto de 1945. Carmópolis, uma pequena cidade com menos de vinte mil habitantes a 110 km de Belo Horizonte-BH, dona de um território de 400 km2 cortado pela BR- 381, importante via nacional de escoamento de produtos que liga os estados de São Paulo, Minas e Espírito Santo, via nascer o quinto filho, de seis, de Geraldo Franklin da Silva e Ester Francisca da Silva, o penúltimo filho do casal recebera o nome de José Belisário de Assis. Um sobrenome que faria jus àquele pequeno.


O menino Belisário de Assis desde sempre mostrava-se sério, mas engana-se quem pensa que a brincadeira e a alegria não fazia parte de seu cotidiano. Como aliás ainda faz. Sua infância foi marcada por muita brincadeira, embora “muito alegre e levado, sempre tenha sido trabalhador e amante da vida rural que levava”. Desde cedo ajudava no trabalho da Fazenda Santa Áurea, onde passou toda a sua infância: tratava dos pequenos animais, colhia ovos, regava as hortaliças, guardava as lenhas. Bem cedo também revelou sua inclinação à vida religiosa. Aos dez anos, foi enviado a Santos Dumont, cidade a 270 km da capital, para os estudos, quando deixou a fazenda e mostrou o ardente desejo de seguir os passos de um certo Assis, o santo.


A juventude do crescido Belisário foi marcada por sua vida seminarística, mesmo com as férias, passou a ir pouco à fazenda que tanto amava; a Santa Áurea ainda hoje pertence à família, sob os cuidados do irmão Hélio de Assis. Desde a sua entrada na ordem dos franciscanos menores, a família percebeu a escolha acertada que fizera aquele menino, agora frei José Belisário, que se mostrava decidido, autêntico e o mais importante, satisfeito com a decisão, “Sempre demonstrou firmeza e felicidade com a vida religiosa. Corajoso e dedicado. Características que não enfraqueceram com o tempo, mas, para o pastor que é, ganharam robustez”. Relatos da infância e juventude de um decidido sacerdote, cunhado de Luci Lebron de Oliveira Assis, esposa de Geraldo Belisário de Assis, que não economizou nos detalhes da vida infanto-juvenil do genro.


“Sempre demonstrou firmeza e felicidade com a vida religiosa. Corajoso e dedicado. Características que não enfraqueceram com o tempo, mas, para o pastor que é, ganharam robustez”



José Belisário da Silva que escolheu o caminho dos franciscanos para a vida religiosa na Província de Santa Cruz -MG, aos passos de seu pai seráfico, aos 18 anos, em 01 de fevereiro de 1963, veste o hábito franciscano. Em 02 de fevereiro de 1964, professa os primeiros votos religiosos para cinco anos à frente, em 1969, também a dois de fevereiro, emitir os votos solenes. O frei Belisário cursou inicialmente Filosofia no Convento São Boaventura, em Daltro Filho- RS, mas graduou-se na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Divinópolis – MG. Iniciou, ainda em Divinópolis, seus estudos de teologia, cursando primeiro e segundo ano.


Atendendo à proposta do curso de apresentação de trabalho anual sobre algum aspecto da teologia, no seu primeiro ano, frei Belisário escolhe a moral, e por tema “A Igreja e o desenvolvimento brasileiro”, iluminado pela encíclica Mater et Magistra, de São João XXIII, estabelecendo uma análise da desigualdade entre o campo e a cidade, e apontando sugestões plausíveis ao país; isso nos idos de 1966. Em 1967, o frei persiste na questão e trata da “Igreja e a Revolução” evocando o cenário sócio-político do país. Desde cedo, revela sua preocupação com a Igreja e a sociedade, tendo em vista a realidade da pastoral urbana e a situação dos mais pobres e desfavorecidos do país.


De fato, conclui seus estudos teológicos no Instituto Central de Filosofia e Teologia da Universidade Católica de Minas Gerais. Nesta última, viveu os dois anos finais de sua formação teológica. No aguardado sábado 13 de dezembro de 1969, na igreja matriz Nossa Senhora do Carmo, em Carmópolis – MG, pela imposição das mãos e oração consecratória de dom José Medeiros Leite, torna-se presbítero, ungido para todo o sempre sacerdote do altar.


No dia seguinte à sua ordenação, às 10h, na mesma igreja em que fora ordenado, preside sua primeira missa em tempo pós-conciliar, o novo padre chega à Igreja em tempos de profundas mudanças. A pedido da ordem, deixa, logo no seu ingresso, de assinar como Assis e passa a ser José Belisário da Silva. Agora, sacerdote do altar, frei José Belisário da Silva, ofm.


Um jovem ativo na vida política, uma testemunha ocular do governo militar




Dos seus escritos a respeito da “Igreja e a Revolução” e alguns livros que havia confiado à guarda de uma amiga, frei Belisário soube apenas que viraram cinzas sob o medo de serem encontrados e convertidos em condenação à sua guardiã. Esse era o tempo da ditadura.


Ainda em seus tempos de estudo, o próprio frei Belisário, em artigo enviado à Revista Santa Cruz, da província a que pertencia, revista que também fora redator, relata uma “intensa vida extracurricular. Eram comuns as assembleias convocadas pelo (seu) diretório acadêmico”. Em uma delas, em razão de suas conhecidas intervenções, foi escolhido para presidir a chapa na próxima presidência do Diretório. À moda caipira, o frei explica bem que foi esse tempo: “que que eu tenho com esse burro? Que que eu tinha de amuntar? Não só montou, com tomou as rédeas e seguiu para a Assembleia Regional da União Nacional dos Estudantes – UNE ao lado dum amigo, João Bosco, representante do Diretório Central dos Estudantes – DCE da Católica. O único problema é que a assembleia, segundo a Lei de Segurança Nacional, que vigorava à época por força do regime, era um crime, pois havia sido colocada fora da permissão da Lei.


Eleitos para a Assembleia Nacional que viria a acontecer em São Paulo, não chegaram a ir, um mal que veio para o bem, pois naquela assembleia foram presas importantes lideranças estudantis e juntamente a elas aproximadamente 800 estudantes como relata em seu artigo.


Estudava em Belo Horizonte, no lugar conhecido por Barro Preto, num prédio contíguo à igreja dedicada a São Sebastião; local extremamente visado pela polícia, segundo seus relatos, o prédio chegou a ser cercado pelo menos duas vezes por policiais armados com metralhadoras e cães, procuravam por colegas seus, por essas vezes conseguiram escapar. Mas não a terceira intervenção, por segurança, foi melhor se entregar ao lado de três outros colegas (sem precisar com exatidão) e seguir para interrogatório no Colégio Militar, na Pampulha. Entrou como testemunha, saiu, após oito horas de interrogatório, na condição de indiciado, num processo que nunca conheceu desfecho.


Na realidade o jovem frei cumpriu seu papel profético de anunciar e denunciar os males que afligia aquela sociedade, foi ser Igreja, também, no meio dos perseguidos, corajoso e dono de um coração sensível à realidade humana, ajudou a muitos inocentes perseguidos e escondidos por medo da morte.


Uma vida de contribuições, uma vida de aprendizagem




Frei José Belisário contribuiu bastante com sua província e com sua diocese. Depois de ordenado foi ser vigário paroquial na paróquia Nossa Senhora do Patrocínio e professor na Escola Normal Nossa Senhora de Fátima, em Abaeté – MG nos anos de 1970, depois, vigário paroquial na paróquia Nossa Senhora de Fátima e professor de Psicologia Educacional na Fundação Universitária do Nordeste Mineiro e mestre de frades de profissão temporária, em Teófilo Otoni de 1971 a 1974; reitor e professor de disciplinas em nível de 2º grau no Ginásio e Seminário Seráfico Santo Antônio, em Santos Dumont – MG entre os anos de 1974 e 1980.


De 1980 a 1983, foi secretário e ecônomo da Província Franciscana de Santa Cruz, vindo a estender este último cargo até 1985. Embora tenha sido apenas por um ano, 1983, Mestre de frades de profissão temporária, em Betim – MG, fez história de modo a ser nomeado administrador e professor no Postulantado Franciscano da Cruz de São Damião, em São João del Rei, de 1985 a 1992, e daí, reitor e professor de disciplinas de 2º grau no Seminário Seráfico Santo Antônio, em Santos Dumont – MG de 1992 a 1997 voltando a administrador e ao cargo de Professor no Postulantado Franciscano da Cruz de São Damião, em São João del Rei, em 1997, quando em 1999 encerrou sua contribuição à província. Foi ainda redator da Revista Santa Cruz da Província Franciscana de Santa Cruz nos anos 1975-1980; 1983-1985; 1992-1995 e Definidor Provincial nos anos 1977-1980; 1983-1986; 1989-1994.


Uma vida extensa de contribuições que lhes serviram também de grande aprendizagem para o que estava-lhe reservado à frente.


Um mestre para a vida


Aos passos da vida, ao correr do tempo, frei José Belisário foi construindo sua história, entre a vida conventual, os estudos e os laços fraternos. Um outro José de Assis, na verdade, frei Pedro José de Assis, ofm, também contribui conosco com as memórias de um tempo que frei José Belisário era o mestre frei Belisário.


“Conheci frei José Belisário, em 1974, em Santos Dumont, Minas Gerais, quando ingressei no aspirantado. Naquele ano éramos onze candidatos vivendo ainda no contexto do Vaticano II, a fraternidade franciscana da Província de Santa Cruz reabria às portas para a formação de novos candidatos. Frei José Belisário era nosso mestre, muito simples, capacitado, nos orientava na organização da vida; vida em casa, vida de estudos, vida de oração, vida fraterna, vida de trabalho e lazer”.


O mestre era muito atento a todas as dimensões da vida humana e fraterna. Na “vida de estudo nos orientava às boas leituras e cobrava disciplina nos afazeres escolares. Sempre o enfoque dado à biblioteca, como espaço de aprendizado e desenvolvimento intelectual. Vida de trabalho na horta, no campo, na cozinha, no jardim; sempre tínhamos que desenvolver alguma atividade como terapia, e, em todas, lá estava o mestre Belisário nos acompanhando e nos incentivando ao aprendizado e crescimento”.


Frei Belisário ou simplesmente Belisário, sempre enturmado, estava atento principalmente à vida de oração, estimulando o cultivo da espiritualidade franciscana e orientando à vida simples de Jesus Cristo que experimentou o pai seráfico. Sempre acompanhado pelos formandos, de quem não se apartava, presidia todos os finais de semana a santa missa na igreja matriz São Miguel e Almas, em Santos Dumont. Fazia muito gosto pela música litúrgica, por esta razão, incentivava a participação de seus orientados no coral Trovadores da Mantiqueira, espaço onde frei Pedro também desenvolveu o gosto pela música.


Na convivência, havia uma vida de lazer bem aproveitada, espaço para o futebol, o vôlei, a piscina e os passeios comunitários, usados para fortalecer a vida fraternal dos confrades.


Um detalhe importante, talvez para matar a saudade do campo, sempre após o almoço, o mestre era visto caminhando pelo jardim; havia ainda um pequeno tempo para uma passeio pela BR ou para a costumeira visita à horta, à criação de porcos ou aos galinheiros do convento.


Neste ponto da história, frei Pedro revela uma qualidade desconhecida do mestre: “nas festividades, no recreio, Belisário pegava uma acordeon, os outros colegas o violão, o pandeiro e lá todos cantavam principalmente músicas sertanejas. Mas havia uma que não podia faltar: ‘...Adeus morena eu vou do lado que o vento vai, amanhã, muito cedinho peço a bênção dos meus pais...’ música de Raul Torres e Florêncio. Pergunto-me, então, será que ainda dom José Belisário, o nosso mestre Belisário, é capaz de tocar uma acordeon como antes? Rs...”


Sempre muito simples e desprovido da vaidade, “quando seu cabelo crescia nos pedia socorro para cortar. Na maior simplicidade não se importava se o corte ficava de bom gosto ou não, nunca reclamava”, lembra claramente frei Pedro. Perguntado sobre que ficou dessa convivência, responde: “aprendi muito com frei José Belisário a amar a vida, cultivar e comunicar aos outros a Boa Notícia do Reino de Deus. Trago comigo uma profunda gratidão para com meus mestres que me ajudaram e me conduziram no conhecimento de Jesus Cristo, especialmente, destaco meu mestre frei José Belisário da Silva”, conclui. Infelizmente, anos mais tarde, sentiria a morte de sua mãe, em dezembro de 1987. Evento que encarou com muita lucidez.


Dom frei José Belisário da Silva



O mestre não ficou só apenas na maestria dos ensinamentos conventuais, nomeado bispo a primeiro de dezembro de 1999 por um santo, São João Paulo II, a quem teve a honra de conhecer, frei Belisário entrou no segundo milênio epíscopo, pastor da Igreja. Ordenado bispo em Carmópolis, aos 19 de fevereiro de 2000, tomou posse como bispo de Bacabal, em 19 de março do mesmo ano. Como relata os familiares, houve uma linda festa em Carmópolis no campo de futebol da cidade, organizada pela paróquia, comunidade e família. “Acolhemos a notícia com imensa alegria e orgulho”, conta Luci Lebron, esposa do irmão Geraldo Belisário.


Aos 21 de setembro de 2005, cinco anos depois, outra grande notícia toma conta de Carmópolis, dom Belisário é elevado a arcebispo pelo papa emérito Bento XVI, vindo a tomar posse da sede metropolitana de São Luís do Maranhão em 19 de novembro do mesmo ano. Não houve repetida festa na cidade uma vez que o frei já não estava no convívio dos camopolitanos, porém, da cidade mineira para a capital maranhense, uma grande delegação foi enviada para a posse do bispo, um filho de Minas das estanhas de Carmópolis. Um grande presente para Geraldo Franklin, seu pai, que pôde um ano antes de sua páscoa gozar desta alegria com seus familiares; em março de 2006, dom Belisário perderia seu pai.



“Para nossa família, dom frei Belisário é um exemplo de fé, sabedoria e imensa humildade. Temos por ele um enorme carinho e respeito. Sempre que em situações difíceis, ele toma uma palavra sábia e sensata para abrandar e ensinar os nossos corações”, diz Luci Lebron.




Um bispo amigo dos hansenianos


Em 2013, o arcebispo de São Luís visita a Colônia Santa Isabel no município de Betim, Minas Gerais, por ocasião da visita a frei José Pedro (um personagem já conhecido dessa história), que morava e atuava pastoralmente na Paróquia Santa Isabel. A Colônia até a década de 1980 era utilizada para isolar compulsoriamente doentes de hanseníase. “A simplicidade do bispo, disposição e a fala muito bem elaborada e objetiva foram marcantes desde o primeiro encontro. Entre vários assuntos abordados, conversamos muito sobre o passado e o presente da doença, na conversa, dom Belisário se mostrou muito preocupado com o número de casos de hanseníase no estado do Maranhão”, nos contou o mineiro Thiago Flores, advogado, mestre em Ciências Sociais e membro da coordenação nacional do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase – Morhan.


Muito empenhado no combate à hanseníase no estado maranhense, dom Belisário lembrou também a antiga Colônia do Bonfim, hoje hospital estadual Aquiles Lisboa, no bairro da Vila Nova, na capital maranhense. De pronto, o arcebispo agradeceu a disposição do Morhan e pensou de imediato com o Thiago, ações que pudessem esclarecer a doença e combater o forte preconceito ainda existente no Maranhão. “Em 2014, passamos quatro dias na ilha promovendo várias atividades de formação sobre a doença através do projeto Franciscanos pela Eliminação da Hanseníase, fizeram parte dessa viagem eu, frei Pedro, frei Irvin e Noele. Na ocasião manifestamos a dom Belisário o desejo de um encontro com o papa Francisco para falarmos sobre a doença no Brasil e no mundo”. E foram!


Como vice-presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, eleito para o quadriênio 2011-2015, dom Belisário acolheu o pedido e abriu as portas para concretizar o sonho. Em 17 de junho de 2015, no Vaticano, a comitiva foi acolhida pelo papa Francisco em audiência geral; este encontro frutificou, um ano depois, em junho de 2016, num outro encontro internacional também no Vaticano, que reuniu representantes de 40 nações diferentes para discutir a hanseníase no mundo. Como enfatizou Thiago, o encontro inédito teve repercussão mundial.


Para Thiago Flores “este é dom Belisário, um homem verdadeiramente servo de Deus, sempre disposto a lutar junto aos menos favorecidos que clamam por justiça social”.


Cidadão ludovicense, cidadão maranhense.




Em 18 de março de 2015, governando há 10 anos a Arquidiocese Metropolitana de São Luís do Maranhão, o metropolita, sua excelência reverendíssima dom frei José Belisário da Silva, é homenageado com o título de Cidadão Ludovicense na Câmara Municipal de São Luís. Seu discurso, marcado por sua emoção, levou a assembleia presente aos aplausos. “A partir de hoje, graças à benevolência dessa Casa – essa Casa que é do povo e, portanto, minha também – sou de fato e de direito cidadão de São Luís”, afirmou veementemente o novo ludovicense.


Em maio de 2015, dom José Belisário é eleito segundo vice-presidente do Conselho Episcopal Latino-Americano – CELAM, notícia que alegrou não apenas a Arquidiocese de São Luís como toda a Igreja do Brasil, seu delegado-representante foi escolhido membro da mesa presidente do Celam para o quadriênio 2015-2019.


Em 23 de junho de 2016, o arcebispo metropolitano volta a ser homenageado, agora pela Assembleia Legislativa do Maranhão. Recebe a comenda de Cidadão Maranhense. Dom Belisário recebeu a comenda com pouco mais de um ano das comemorações do decênio de sua administração arquidiocesana e de um ano da comenda de Cidadão Ludovicense. Segundo os deputados, foi o modo do estado agradecer ao arcebispos pelos trabalhos religiosos e sociais que desempenha no Maranhão como chefe local da Igreja Católica. “Fico emocionado em um momento como esse, mas o sentimento principal é de gratidão. Desde que cheguei ao Maranhão, me sinto bem acolhido e feliz”, declarou à imprensa maranhense.


Dom Belisário recebeu, ainda, nas comemorações do ducentésimo terceiro aniversário do Tribunal de Justiça do Maranhão, em 04 de novembro do mesmo ano, 2006, a Medalha Antonio Rodrigues Vellozo em reconhecimento dos esforços empreendidos por uma cultura de paz e justiça no estado.


Sem dúvida, dom Belisário é reconhecidamente um cidadão ludovicense, um cidadão maranhense que luta, como pastor, pela paz e justiça, valores verdadeiros do Reino dos Céus. É verdade também que seu jeito discreto revela pouco, que sua simplicidade pode dizer menos de si, seu modo particular de se manifestar na vida da sociedade e na política pareça despreocupação e seu proposital silêncio possa sugerir ausência. Mas em toda a sua vida se percebe, ou melhor, sua vida nos esclarece, que seu jeito discreto ensina a doação desprendida do franciscano, sua simplicidade a obediência aos valores da fé cristã e a negação de uma pretendida vaidade, o desprendimento dos palanques sociais e políticos a esclarecida escolha da não conivência com o momentâneo e seu silêncio a prudência de um mestre, a vigilância de um pastor.

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