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Exortação de proclamação do Ano Missionário 2020


Convite à missão


A Assembleia Arquidiocesana de Pastoral realiza-se anualmente. Nela se avalia a caminhada pastoral da arquidiocese. A cada quatro anos, coincidindo com a publicação das novas Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, propostas pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, essa avaliação ganha uma intensidade especial. Trata-se de redigir, a partir das novas Diretrizes, um plano de pastoral para o quadriênio seguinte.


Estamos chegando ao final de um quadriênio. Para marcar esse último ano, o Plano de Pastoral 2017/2020 prevê a realização de uma grande ação missionária, a se realizar em todas as paróquias e comunidades da arquidiocese. Essa ação missionária já começou, estando na sua fase preparatória.


Repetidas vezes, o papa Francisco tem afirmado que uma Igreja autorreferenciada não condiz com aquilo que ela deve ser. De fato, a Igreja não existe para si mesma. A exemplo de Jesus, que “não veio para ser servido, mas para servir”, a Igreja – e, por extensão, todos os cristãos – só tem sentido na medida em que é servidora. Ou, em outras palavras, na medida em que é missionária.


Para a Arquidiocese de São Luis, o ano de 2020 será, por excelência, um ano missionário, para cuja realização é necessário que nos preparemos convenientemente – paróquias, comunidades e agentes pastorais. Na exortação apostólica “A alegria do Evangelho”, o papa Francisco, entre outras coisas, nos chama a atenção para algumas tentações a serem evitadas por nós, agentes pastorais.


Em primeiro lugar, há de se fugir de um pessimismo estéril que não leva a nada. João XXIII falava nos profetas das desgraças que veem apenas aspectos negativos no mundo atual. Ora, para se empreender uma luta – diz o papa Francisco –, há de se ter confiança na vitória e esta nos é garantida por Jesus, embora – de novo citando o papa – “o triunfo cristão seja sempre uma cruz, mas cruz que é, simultaneamente, estandarte de vitória”.


Outra tentação, muito presente no mundo de hoje, é refugiar-nos em nossa privacidade confortável ou no círculo reduzido dos mais íntimos. Sair de si mesmo para se unir aos outros faz bem, é saudável.


Mas, há um outro grande perigo, certamente o maior deles, ao qual o papa, inspirando-se em Henri de Lubac, dá o nome de mundanismo espiritual. É o maior mal que pode acontecer à Igreja. O mundanismo espiritual é pormos a nós mesmos no centro. É o que Jesus vê acontecer com os fariseus: “Vós que vos gloriais a vós mesmos, uns aos outros”. Ainda como arcebispo de Buenos Aires, Jorge Bergoglio chegou a afirmar que o mundanidade espiritual “é mais desastrosa que a praga infame que desfigurou a Igreja no tempo dos papas libertinos”.


Finalmente, há de se evitar a discórdia, a guerra entre nós. Quantas invejas e ciúmes, inúteis e desnecessários! Alguns católicos – assim afirma o papa Francisco – “mais do que pertencer à Igreja inteira, com a sua rica diversidade, pertencem a este ou àquele grupo que se sente diferente ou especial”.



Com a bênção de Deus, convocamos a todas nossas comunidades a assumirem o Ano Missionário com vistas a sermos de fato uma Igreja em saída.


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