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A missão vivida no silêncio

Atualizado: Abr 11

Padre Jadson Borba

Coordenador da Comissão Arquidiocesana para o Ano Missionário 2020




Quando falamos em missão o que vem primeiramente em nossa mente? Geralmente a missão lembra festa, dança, animação, pessoas nas ruas, visitas, caminhadas e tantas outras expressões. Contudo, uma dimensão da missão fica às vezes esquecida, principalmente nos tempos de hoje, e esta é o silêncio. Queremos aqui destacar a dimensão e a importância do silêncio na vida de cada missionário e missionária. E como figura bíblica do silêncio, iremos evocar a pessoa de São José.


São José, conhecido pela tradição bíblica como homem justo, é uma figura sem dúvida marcante, eloquente, apesar de não encontrarmos palavra alguma em seus lábios. A missão confiada por Deus a José é toda ela vivida no silêncio. Não é um silêncio marcado pela ausência, mas pela presença. No silêncio, Deus fala ao coração de José. Os sonhos do pai adotivo de Jesus são permeados pela presença de Deus, é justamente em um destes momentos que o anjo do Senhor lhe comunica: “José, Filho de Davi, não tenhas receio de receber Maria, tua esposa; o que nela foi gerado vem do Espírito Santo...” (Mt 1,20).


A vida e missão de São José fala aos missionários de nossa arquidiocese que é preciso se colocar em silêncio. É preciso que os nossos sonhos sejam habitados por Deus. Os ensinamentos deixados por José chegam a nós não por suas palavras, mas pelo seu testemunho, pela sua vida. Foram as suas ações que revelaram a nós o profundo amor para com Deus. O sim de José é tornado realidade no acolhimento de Maria e de Jesus.


Vivemos um tempo de muitas informações, um tempo de muito barulho. Em algumas celebrações o silêncio não tem espaço. Parece que momentos de silêncio são vistos como vazio, falha, esquecimento. O silêncio, na verdade se tornou estranho a nós. Uma autêntica espiritualidade missionária nasce da capacidade de nos colocarmos na presença do Senhor e ao sermos envolvidos pelo silêncio compreender o que nos fala e discernir quais caminhos devemos trilhar.


Cultivar a mística do silêncio nos parece ser algo urgente. Pois, na vida de São José o silêncio gerou a escuta, a escuta gerou a acolhida e a acolhida gerou a missão. O tempo do silêncio, assim como foi para o carpinteiro, é fundamental também para nós, pois a compreensão da nossa missão nasce da capacidade que temos de perceber qual o projeto de Deus para a nossa vida. Lembremos que após a visita em sonho do anjo, o primeiro gesto de José é colocar-se em movimento.


A vida de São José revela a cada um de nós missionários e missionárias que a missão é uma iniciativa de Deus. Em seu infinito amor, Deus nos chama para fazer parte de sua missão. Assim como José, somos chamados a colaborar com o Senhor.


Por fim, o nosso olhar contemplou um grande homem que cultivou a amizade com Deus. Uma vocação alimentada no silêncio e vivida na dura realidade do seu tempo. Que a vida de São José nos inspire sempre mais a compreender que a nossa missão também pode ser vivida no silêncio.

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