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A família hoje


Agosto, para nós aqui da Igreja do Brasil, é o mês das vocações. Para não se perder em generalidades, sugere-se que cada uma das quatro semanas de agosto focalize um tipo de vocação. Assim é que a primeira semana, pela proximidade do dia 4, festa de São João Maria Vianney, padroeiro dos párocos, seja dedicada à vocação sacerdotal. Sendo o segundo domingo o dia dos pais, nada mais lógico que dedicar a segunda semana à família. Já a terceira semana, dedicada à vida consagrada, e quarta semana, dedicada à vocação das pessoas que se dedicam à catequese, não têm propriamente uma motivação especial. De todas essas vocações, a família é o assunto que diz respeito a todos nós, pois como disse João Grilo na peça “O Auto da Compadecida”, não somos filhos de chocadeira. Ou então, como disse Bento XVI, a família é um patrimônio da humanidade, independentemente de cultura, nacionalidade, classe, religião ou qualquer outra particularidade.

Quando se aborda o assunto da família, muitos têm a tendência em descrever a situação em tintas escuras. No parecer destes analistas, quando comparada com a família de ontem, a família de hoje levaria desvantagem em todos os aspectos. A exemplo do São João Paulo II, na Exortação Apostólica Familiaris Consortio, sem negar os aspectos negativos, prefiro começar chamando a atenção para os aspectos positivos da família hoje.

Temos hoje uma consciência mais viva da liberdade pessoal e uma maior atenção à qualidade das relações interpessoais dentro do matrimônio. Paralelamente, podemos constatar que a mulher, nas várias culturas, vai-se promovendo, deixando de ocupar a condição de inferioridade e ajudando a superar os machismos que prejudicam tanto a mulher como o homem.

Outro ponto positivo para a família hoje refere-se à procriação e à educação dos filhos. Graças aos avanços das ciências, mas também graças à difusão da informação, as famílias têm melhores condições de exercer a paternidade e a maternidade de maneira mais responsável.

Ao lado desses aspetos positivos, é claro, existem também aspectos negativos da família hoje. Se a consciência mais viva da liberdade pessoal é um valor, temos que evitar uma concepção errada da independência das pessoas dentro da família. Não é assim que cada um faça o que lhe der na cabeça. Podemos constatar também no seio da família graves ambiguidades acerca da autoridade entre pais e filhos. Se de um lado, muitas vezes, parece que os pais abdicam ou desanimam de suas responsabilidades de educadores, de outro as novas gerações mostram pouca disposição em ouvir os mais velhos.

Algumas questões independem no contexto histórico e parecem fazer parte de todas as épocas da história humana. Assim, por exemplo, as infidelidades, as separações, as agressões... Já alguns problemas provêm da maneira como a sociedade se organiza. Num país como o Brasil, que, apesar de progressos inegáveis, continua sendo campeão de desigualdade social, para muitas famílias faltam os meios fundamentais para sua sobrevivência, como sejam, alimento, trabalho, habitação e assistência à saúde.

Como em outras épocas, a família hoje tem suas luzes, mas tem também suas sombras. É assim a história humana – cheia de ambiguidades. Caminhando sempre e sem desanimar, somos convidados a reafirmar os valores evangélicos da família – estes, sim, imutáveis e sempre novos.

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