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Bispos do Brasil


A internet tem dado voz a muitos. Para o bem e para o mal. Não é de hoje que a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB tem sido alvo de ataques e críticas. Nos últimos tempos, porém, graças à internet, esses ataques têm tido uma repercussão maior. Muitas pessoas me têm questionado sobre esses ataques – o que fazer, o que pensar, estará a Igreja dividida? Penso que o texto a seguir, de autoria de dom Sérgio Castriani, nos traz alguma luz sobre esse assunto. A ele cedo o meu espaço nesta edição do Jornal do Maranhão.

Dom José Belisário da Silva

Bispos do Brasil

Dom Sérgio Castriani *

Um dia destes um jovem neófito me perguntou por que certos grupos católicos falam tão mal da CNBB, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Que inimigos da Igreja falem mal dela entende-se, mas que gente que se diz fiel à doutrina faça isto é difícil de compreender, sobretudo quando usam uma linguagem agressiva e chula. Supondo que sejam realmente fieis de boa vontade confesso que eu também tenho dificuldade de interpretar as verdadeiras intenções. O primeiro esclarecimento a se fazer é que a CNBB congrega todos os bispos católicos do nosso país, todos os legítimos pastores do rebanho que permanece unido com o bispo de Roma. Ela representa Igreja, que para nós é o Corpo de Cristo, porque realiza a comunhão daqueles que tem a missão de governar as diferentes Igrejas particulares. Só por isto merece respeito.

Como funciona a CNBB? Cada ano os seus membros se reúnem em assembleia geral para deliberar sobre assuntos de interesse do Povo de Deus. Tudo se passa num ambiente de oração e de grande comunhão eclesial. Os documentos são estudados à exaustão até que se chegue a consensos onde prevalecem a caridade pastoral e o bom senso. Os assuntos são os mais variados. A Conferência nunca se omitiu diante dos desafios da evangelização e da vida nacional. Entre uma assembleia e outra funciona um Conselho Permanente que se reúne algumas vezes ao ano e um Conselho Pastoral formado pela presidência e bispos presidentes de Comissões Pastorais. Durante oito anos eu presidi a Comissão para a Ação Missionária e sou testemunha do trabalho sério que a Conferência realiza no dia a dia, animando a vida pastoral da Igreja, fomentando a comunhão.

É claro que ela comete erros e equívocos e seus membros são os primeiros a reconhecer isto. Porém acusar a CNBB de estar submissa a ideologias e partidos é muita maldade. Os bispos são pastores que vivem nos rincões deste imenso país e trazem consigo as dores de seu povo. Às vezes carregam no próprio corpo o peso da doença e dos anos. Sabem em quem acreditam e confiam. Jesus é o seu Senhor. Partilham a vida do Mestre e não se surpreendem com a calúnia e a difamação.

Nestes dias mais uma vez as redes sociais se encheram de acusações à CNBB. Não prestei atenção e não levei a sério até que fui alertado de que tudo começara num site de um grupo de nossa Arquidiocese. Fiquei triste. Num momento da história em que se faz necessária uma tomada de posição frente a situações de injustiça e morte não podemos nos dar ao luxo de nos dividirmos. Pensei nos milhares de venezuelanos que estão emigrando para o Brasil, nos jovens assassinados todos os dias nos nossos bairros, nas famílias que perderam seu chão numa desastrada reintegração de posse, na corrupção que insiste em continuar, nos doentes que esperam por exames e cirurgias, nas escolas depredadas, nos professores mal pagos, na greve que deixou milhares de trabalhadores sem transporte e tive vergonha e raiva de ficar brigando por palavras num farisaísmo estéril e anacrônico. Antes de espalhar cizânia nos informemos, pois o escândalo que afasta os pequenos do Evangelho é pecado grave.

Arcebispo de Manaus*

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