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Mais uma campanha da fraternidade e mais um ano eleitoral


Queiramos ou não, pertencemos todos a uma comunidade. Melhor dizendo, a várias comunidades, a começar pela comunidade humana.

Somos filhos e filhas de Adão e Eva – feitos de barro, isto é, dos mesmos elementos que encontramos na natureza. Acontece que este barro é consciente de si mesmo – carrega em si o sopro do Espírito. Por consequência, somos fundamentalmente iguais. Numa perspectiva de fé, podemos dizer que somos filhos e filhas de Deus e, numa perspectiva científica, independentemente das épocas e dos lugares, carregamos todos a mesma carga genética.

Pertencemos a uma comunidade nacional, a este país lindo e trigueiro, ao mesmo tempo amado e, por vezes, detestado por nós. Parece que o patriotismo está em baixa. Claro, não precisamos adotar o estilo dos sambas-exaltação de Ary Barroso. Seria, porém, sinal de imaturidade humana negar o fato de sermos brasileiros, unidos por um passado, um presente e futuro comuns.

E, há a família, seja ela patriarcal, nuclear, incompleta, tradicional, moderna, com terra ou sem terra, com casa ou sem casa, com emprego ou sem emprego... Como as demais comunidades às quais pertencemos, seu valor é ambíguo. Não há como negar que a instituição familiar hoje – aliás, como sempre – enfrenta desafios. Não adianta nada, porém, ficarmos nos lamentando. Como diz a exortação pós-sinodal do papa Francisco, “não tem sentido limitar-nos a uma denúncia retórica dos males atuais, como se isso pudesse mudar qualquer coisa”. Se a família, muitas vezes, é o problema, ela é também a solução.

Podem-se citar outras comunidades às quais pertencemos, seja por escolha ou não.

As ciências humanas e também as teológicas têm dedicado particular atenção à dimensão social e dialogal da pessoa humana. São elas que afirmam: a pessoa se humaniza, isto é, se torna mais humana, quando permanece em comunhão com outros humanos. Um traço da pessoa adulta é o da capacidade de conviver, de associar-se e de colaborar com a vida da comunidade.

Frei André Marcatali, antigo professor de ciências da educação, no Pontifício Ateneu Antonianum, em Roma, nos dá alguns conselhos para a vida em comunidade, dos quais me atenho a dois.

Primeiramente, diz ele, a vida em comunidade exige um sadio realismo. Nada de pretender o impossível. O espírito de sadio realismo opõe-se ao formalismo e ao farisaísmo. Especificamente quanto à comunidade familiar, o papa Francisco nos coloca de sobreaviso quanto ao risco de apresentar um ideal teológico do matrimônio demasiadamente abstrato. Não existe a família abstratamente. O que existe são as famílias concretas.

Em segundo lugar, para se viver em comunidade, é necessário grandeza de alma. A vida em comunidade requer uma atmosfera de entusiasmo e de magnanimidade que suscite grandes ideais. Corremos sempre o risco do aburguesamento, da vulgaridade, da mediocridade satisfeita.

Neste ano, vão acontecer dois eventos marcantes – um eclesial, outro civil. Na Quaresma, somos convidados, mais uma vez, a refletir e a rezar sobre a violência que assola a pátria brasileira e, ao longo do ano, somos convidados a participar de mais uma campanha eleitoral para a escolha de dirigentes civis em nível federal e estadual.

Ambos são momentos fortes de nossa vida comunitária. Extremismos, polarizações, presunções, responder violência com mais violência parecem não ser as respostas corretas para os problemas que estamos vivendo. Diálogo e respeito mútuo, sim, parecem ser a saída. Afinal, somos todos iguais, feitos do mesmo barro e impulsionados pelo mesmo Espírito.

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