Queremos Deus!

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Padre Bráulio Ayres

É festa de Deus, é festa do povo. Procissão do Corpo do Senhor, a solenidade e culto eucarístico marcam no catolicismo o momento de encontro com o mistério do Deus escondido, Ele se faz acessível, se deixa tocar, adorar, e, além disso, oferece o seu Corpo e Sangue como alimento. O povo reunido na alegria de estar junto e contemplar Jesus, lendo e meditando sua própria Palavra, recorda quem Ele é: “Eu sou o pão vivo, descido do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente O pão que eu darei é a minha carne para a vida do mundo”. (Jo 6, 51).

Sair em peregrinação, em “romaria”, em caminhada até o local marcado para um encontro é um prática usual nos relatos bíblicos, e com uma ênfase especial nos encontros marcados com Jesus e os seus seguidores:  Mt 28, 16 … “os onze discípulos foram para a Galileia, ao monte que Jesus tinha indicado”; Mt 28, 5s no diálogo com o Anjo do Senhor,  Maria Madalena e outra mulher escutam “… não temais … Ele não está aqui … Ide já contar aos discípulos que ele ressurgiu dos mortos e que ele vos precederá na Galileia.

Seguir Jesus Eucaristia pelas ruas das nossas paroquias é buscar nele a mística e, na sua espiritualidade, respostas às nossas necessidades atuais, superar os sinais de morte que afetam a nossa gente nos centros e periferias da nossa cidade, onde ganhar o pão do trabalho, o pão do saber, o pão saúde, o pão da moradia – o pão nosso de cada dia – se torna cada vez mais uma luta desigual.

As culturas que constituem nossa cidade, nossos grupos e movimentos, nossas comunidades religiosas trouxeram valores humanos e de fé que alicerçaram práticas de fraternidade, solidariedade, comunhão, o sentido do divino, e o espaço do sagrado. Destaca-se entre muitos espaços de espiritualidade a fé na presença real de Jesus Eucarístico, pão vivo descido do Céu. A mesa Eucarística é um ponto de encontro entre o Corpo do Senhor e o seu povo.

A festa do Corpo do Senhor junta, reúne, congrega o que a nossa ideia de posse do sagrado deixa à margem, segrega, sataniza. Muitos grupos de origens diferentes, que possuem um modo particular de amar e servir a Deus, nesse dia se sentem irmãos, herdeiros e salvos pelo mesmo Senhor, se sentem parte da Igreja pelo batismo, desejam sentar-se em torno da única mesa que nos faz irmãos, mesa de todos os que aceitam o convite de sentar-se com Jesus, que continua dizendo, “sem mim nada podeis fazer” (Jo 15, 15).

Participa da festa do Senhor, alimenta-te do Corpo e Sangue D’Ele e terás a força de viver na alegria e não mais no medo.

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